Agora, já nada resta
Eu, que sou apenas mais um diaque lentamente se despedaça em ti,
apenas uma brecha ao amanhecer
junto à porta aberta por nós.
.
Sei que fui apenas dor
estranhamente tragada em ti,
perdidos no sucumbir do entardecer
junto ao rio que quisemos só para nós.
. Vejo-me assim, de mim ausente,
despido das mãos e da voz,
neste corpo que se afasta cada vez mais do teu,
neste rosto onde me deixo envelhecer.
.
Então, nada mais me resta,
senão amordaçar este fulgor,
para te dizer
que afinal sempre estivemos sós.