03 junho 2008

Do que resta

Agora, já nada resta

Eu, que sou apenas mais um dia
que lentamente se despedaça em ti,
apenas uma brecha ao amanhecer
junto à porta aberta por nós.
.
Sei que fui apenas dor
estranhamente tragada em ti,
perdidos no sucumbir do entardecer
junto ao rio que quisemos só para nós.
.
Vejo-me assim, de mim ausente,
despido das mãos e da voz,
neste corpo que se afasta cada vez mais do teu,
neste rosto onde me deixo envelhecer.
.
Então, nada mais me resta,
senão amordaçar este fulgor,
para te dizer
que afinal sempre estivemos sós.

01 junho 2008

Dia Mundial da Criança


Crianças,
porque são sempre precisas...
... e nunca nos fartamos das suas brincadeiras...
alegrem-nos o mundo...
... deêm-nos sempre o melhor para se ter.

29 maio 2008

Sobrevivência

Sobrevivo à queda das águas, na esperança vã das tuas mãos, onde anseio agarrar os teus olhos livres, no esgar breve de um qualquer dia.

Curvo-me perante tempestades, na orla fresca do teu corpo, para me prender a ti, no silêncio já moribundo que se solta de mim.

28 maio 2008

...como um só...


Por sermos dois, seremos sempre como um só...

27 maio 2008

renascer...


a voz ainda trémula... que se atreve lentamente... a procura incessante do amor... no florescer de todas as manhãs... e das águas que me fazem sempre renascer...

03 novembro 2006

...de repente...


Chego assim ao limiar dos teus lábios,
embalado pela brisa quente das marés,
perdido nas águas verdes que se elevam a meus pés.
E de repente, solta-se o mar do teu corpo,
e as minhas mãos navegam sem destino
à espera de te poderem encontrar.
E em ti ancorar.

07 outubro 2006

há ainda uma palavra perdida


Há ainda uma palavra perdida no cansaço de mais um dia,
no peso das tuas mãos,
no limite de uma praia vazia.
.
Do que escrevo e do que sou... nem eu sei para onde vou,
apenas um vagabundo de cada hora perdida,
na agonia prolongada de uma vontade desconhecida.
.
Do sangue quente onde bebo os erros do tempo,
acabo prisioneiro de um mar onde afinal nada se sabia.
E acorrentado à própria vida onde a raiva se sacia,
solto apenas um beijo na chama de um inevitável lamento.

22 setembro 2006

as pedras do caminho

Ainda trago o vazio das horas que ficaram por contar, o vazio das palavras que deixei sózinhas, ao abandono do silêncio.
No espaço branco do que ficou por dizer,
apenas resta a dúvida, de tudo o que não se veio a saber.
Trago afinal o vento e o mar
juntos, perdidos na penumbra do que ficou por chegar, suspensos nas mãos que acabaram por se desprender.
Derrotada a vontade, fica o desalento das noites sem fim, e na espera fútil de todas as manhãs, apenas a loucura que lentamente se desperta em mim.
Como é fria agora a noite junto ao mar…
…e como a recordo ainda quente.
E assim, disfarço todas as dores nos trilhos que não conheço, nas pedras que atiro para bem longe… para não lhes sentir o peso pelo caminho…