29 maio 2008

Sobrevivência

Sobrevivo à queda das águas, na esperança vã das tuas mãos, onde anseio agarrar os teus olhos livres, no esgar breve de um qualquer dia.

Curvo-me perante tempestades, na orla fresca do teu corpo, para me prender a ti, no silêncio já moribundo que se solta de mim.

28 maio 2008

...como um só...


Por sermos dois, seremos sempre como um só...

27 maio 2008

renascer...


a voz ainda trémula... que se atreve lentamente... a procura incessante do amor... no florescer de todas as manhãs... e das águas que me fazem sempre renascer...

03 novembro 2006

...de repente...


Chego assim ao limiar dos teus lábios,
embalado pela brisa quente das marés,
perdido nas águas verdes que se elevam a meus pés.
E de repente, solta-se o mar do teu corpo,
e as minhas mãos navegam sem destino
à espera de te poderem encontrar.
E em ti ancorar.

07 outubro 2006

há ainda uma palavra perdida


Há ainda uma palavra perdida no cansaço de mais um dia,
no peso das tuas mãos,
no limite de uma praia vazia.
.
Do que escrevo e do que sou... nem eu sei para onde vou,
apenas um vagabundo de cada hora perdida,
na agonia prolongada de uma vontade desconhecida.
.
Do sangue quente onde bebo os erros do tempo,
acabo prisioneiro de um mar onde afinal nada se sabia.
E acorrentado à própria vida onde a raiva se sacia,
solto apenas um beijo na chama de um inevitável lamento.

22 setembro 2006

as pedras do caminho

Ainda trago o vazio das horas que ficaram por contar, o vazio das palavras que deixei sózinhas, ao abandono do silêncio.
No espaço branco do que ficou por dizer,
apenas resta a dúvida, de tudo o que não se veio a saber.
Trago afinal o vento e o mar
juntos, perdidos na penumbra do que ficou por chegar, suspensos nas mãos que acabaram por se desprender.
Derrotada a vontade, fica o desalento das noites sem fim, e na espera fútil de todas as manhãs, apenas a loucura que lentamente se desperta em mim.
Como é fria agora a noite junto ao mar…
…e como a recordo ainda quente.
E assim, disfarço todas as dores nos trilhos que não conheço, nas pedras que atiro para bem longe… para não lhes sentir o peso pelo caminho…

14 julho 2006

da tua ausência



Trago o corpo dorido,
exausto pelo peso da tua ausência.
Doem-me os dias de estar só em tanta gente,
violentado em intermináveis palavras.
Resta o meu silêncio perdido
guardado em todos os momentos de ti.

30 junho 2006

Sempre mais um dia...

Era eu a querer tudo o que não tinhas,
tu a perderes tudo o que eu conhecia,
era eu a deixar-te chegar,
e tu a ficar a saber que partias.

Nós a dor do fim que se sabia,
a dor de tudo o que se perdia.
Nós sem sabermos como seguir,
nós a querermos sempre mais um dia.

E éramos nós frutos do mesmo mar, silêncios de uma só palavra.
E eras tu a pedir para ficar e eu a dizer tudo o que não queria,
era eu contigo a fugir do fim e tu comigo longe de podermos amar.

E nós a querermos todos os dias...

16 junho 2006

Só...

Trago o tempo suspenso na espera das tuas mãos,
na demora dos teus lábios,
no reencontro do corpo ausente.
A espera revela-se esgotante,
para me deixar preso a esta solidão,
cada vez mais sufocante.
Sinto-me só no meio da multidão,
sinto a tua falta dentro de mim,
sinto-me só dentro de mim...

27 maio 2006

amo-te...







Amo-te...
E as minhas mãos estendem-se para ti,
como um mar que chega à praia
e nada mais tem para oferecer.